Especulação imobiliária ameaça bares de SP: Pensão Bar e Cava Bar fecham as portas

Com a valorização dos imóveis em São Paulo, bares e restaurantes enfrentam despejos e desafios financeiros para manter suas operações.

  • Data: 02/04/2025 23:04
  • Alterado: 02/04/2025 23:04
  • Autor: Suzana Rodrigues
  • Fonte: FolhaPress
Especulação imobiliária ameaça bares de SP: Pensão Bar e Cava Bar fecham as portas

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Nos últimos meses, diversos bares e restaurantes de São Paulo têm encerrado suas atividades devido à venda dos imóveis para construtoras. O Pensão Bar, localizado em Pinheiros, anunciou o fechamento por tempo indeterminado, transformando-se em um prédio.

Pouco depois, o Cava Bar também comunicou sua mudança de endereço após a venda do imóvel onde operava. Esse fenômeno tem preocupado empresários do setor gastronômico, que temem perder não apenas o investimento em infraestrutura, mas também a clientela conquistada ao longo dos anos.

Os Desafios dos Proprietários e os Custos das Mudanças

Rodrigo Silveira, proprietário do Pensão Bar, investiu cerca de R$ 200 mil em reformas no espaço alugado, mas recebeu uma indenização que não cobriu os custos totais da obra. O Muquifo, restaurante da chef Renata Vanzetto, também passou por situação semelhante ao precisar se mudar da Rua da Consolação para a Bela Cintra em 2022.

A compensação oferecida pela construtora foi a isenção do aluguel por sete meses, mas o investimento na nova localização foi equivalente ao de abrir um novo estabelecimento. Essas mudanças forçadas impõem desafios financeiros significativos para os empresários, que precisam encontrar novos imóveis e adaptar os espaços para manter suas operações.

Estratégias para Proteger os Negócios

Especialistas alertam para a importância de contratos bem estruturados para evitar prejuízos em casos de rescisão antecipada. Rafael Verdant, advogado especialista em direito imobiliário, explica que melhorias estruturais no imóvel só são reembolsadas se estiverem explicitamente previstas no contrato.

Além disso, recomenda-se optar por contratos de no mínimo cinco anos, garantindo a possibilidade de renovação judicial. Exemplos como o Futuro Refeitório, que conseguiu estender sua permanência até 2027 após a venda do prédio, mostram que medidas legais podem oferecer certa proteção aos inquilinos.

No entanto, o avanço da especulação imobiliária continua a transformar o cenário gastronômico da cidade, impulsionado por incentivos fiscais e pela valorização de imóveis próximos a corredores de transporte público.

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  • Data: 02/04/2025 11:04
  • Alterado:02/04/2025 23:04
  • Autor: Suzana Rodrigues
  • Fonte: FolhaPress











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